Charles R. Drew foi o homem que aprimorou as técnicas de armazenamento e distribuição de sangue. Sua inovação ajudou a salvar muitos soldados aliados na Segunda Guerra Mundial. Mas você sabia que ele renunciou à Cruz Vermelha?

Charles Richard Drew, o cirurgião afro‑americano que pioneirou a tecnologia de armazenamento de sangue, também foi o chefe do primeiro Banco de Sangue da Cruz Vermelha americana. Ele renunciou ao cargo por causa de um protocolo que separava sangue negro do sangue branco.

Quem foi Charles R. Drew?

Charles Drew nasceu em 3 de junho de 1904. Ele cresceu em Washington, DC. Crescendo em uma família de baixa renda, Drew contribuía para a renda familiar entregando jornais no bairro. Sua capacidade de coordenar e gerenciar pessoas ajudou‑o, junto com dez de seus amigos, a criar uma rede para entregar 2.000 jornais diariamente.

Drew frequentou a Paul Laurence Dunbar High School, uma escola historicamente negra. Ele se destacou em todos os esportes que praticou, conquistando uma bolsa parcial no Amherst College, em Massachusetts, em 1922. Também se destacou tanto no atletismo quanto no futebol, ganhando os troféus Howard Hill Mossman e Thomas W. Ashley pela faculdade. Em 1926, Drew se formou e foi um dos apenas dezesseis afro‑americanos a fazê‑lo naquela época.

Drew iniciou a medicina em 1928 na Universidade McGill, em Montreal, Canadá. Ele optou pela universidade em vez de permanecer na lista de espera da Universidade de Harvard. Em 1933, recebeu os diplomas de Doutor em Medicina e Mestre em Cirurgia. Fez seu estágio nos hospitais Royal Victoria e Montreal General, mas logo se mudou para a Howard University como instrutor de Patologia devido à morte de seu pai em 1934. (Fonte: NCBI)

Drew continuou sua carreira médica, criando os dois primeiros bancos de sangue e eventualmente tornando‑se chefe do departamento de cirurgia da Howard University. Ele se tornou o cirurgião chefe do Freedmen’s Hospital e foi o primeiro examinador afro‑americano do American Board of Surgery.

Drew recebeu a Medalha Spingarn de 1943 pelo maior e mais nobre feito, reconhecendo seu trabalho de coleta e distribuição de plasma sanguíneo. O Dr. Drew faleceu em 1º de abril de 1950, aos quarenta e cinco anos. Drew e três colegas participaram de uma conferência médica no Tuskegee Institute, no Alabama. Seu veículo colidiu em Burlington, próximo, no Alabama, encerrando sua vida.

Drew recebeu várias homenagens póstumas e até foi incluído na série de selos Great Americans dos Correios dos EUA de 1981. (Fonte: Biography)

O Protocolo Discriminatório

Drew desenvolveu um método para processar e preservar plasma sanguíneo ou sangue sem células. O plasma dura muito mais tempo que o sangue total, tornando possível armazená‑lo ou depositado por períodos mais longos. Drew foi convidado a liderar um esforço médico especial conhecido como Blood for Britain com seu desenvolvimento de plasma sanguíneo. Ele organizou o envio de plasma sanguíneo através dos mares para tratar as vítimas da guerra.

Em 1941, Drew novamente liderou outro esforço de banco de sangue para a Cruz Vermelha. A ação seria destinada ao pessoal dos EUA. Ele logo ficou frustrado ao perceber que o exército não queria usar sangue de afro‑americanos, o que o levou a renunciar ao cargo. (Fonte: Biografia)

Drew foi a figura mais proeminente no campo de bancos de sangue. Ele não estava disposto a deixar todo o seu trabalho árduo desperdiçado quando o protocolo determinava que o sangue de pessoas negras fosse separado do sangue de pessoas brancas. Não havia absolutamente nenhuma base científica para isso, e Drew protestou contra a política e renunciou ao seu cargo na Cruz Vermelha Americana. A organização manteve o protocolo até 1950. (Fonte: NCBI)