No mundo de hoje, o racismo é desaprovado. Frequentemente vemos atos racistas nas redes sociais e como os indivíduos reagem a eles negativamente. No passado, o racismo era praticado comumente. Mas você sabia como o Exército dos EUA mudou os caminhos do governo islandês?
O governo islandês proibiu efetivamente o destacamento de soldados americanos negros na Islândia durante a Guerra Fria. Após pressão do exército dos EUA, a proibição foi levantada no final dos anos 1960.
Relação EUA-Islândia
O relacionamento entre as duas nações foi formado pela primeira vez em 1941, quando a Islândia e os EUA assinaram um acordo de defesa, transferindo a responsabilidade de defender a Islândia para os EUA. E quando a OTAN, ou Organização do Tratado do Atlântico Norte, foi criada em 1949, a Islândia fez parte dos membros fundadores.
Como a Islândia não possuía um exército permanente, assinou um acordo de defesa bilateral com os EUA em 1950. Este acordo estabelece que as nações se apoiarão militarmente, tanto em ofensiva quanto em defesa, conforme necessário. (Fonte: A Rede de Iniciativa Báltica)
Na época, a Islândia era vista como um local estratégico importante para a defesa da Europa Ocidental. Foi uma jogada estratégica das Forças Aliadas estabelecer uma base na Islândia, pois ela estava situada em rotas marítimas vitais para a região. (Fonte: OTAN)
O acordo entre os dois países permaneceu em vigor nas próximas cinco décadas, pois desempenhou um papel significativo na segurança do Atlântico Norte. Em 2006, porém, a estação naval dos EUA em Keflavik foi fechada. Os EUA anunciaram que continuariam a apoiar a defesa da Islândia, mas não estabeleceriam mais bases permanentes.
Os EUA também trabalharam com autoridades islandesas locais para ajudar a reduzir o impacto das perdas de empregos devido ao fechamento das bases, ajudando a promover o turismo e atrair investidores americanos para Keflavik. Até hoje, os EUA são o maior investidor estrangeiro da Islândia, especificamente no setor de alumínio. (Fonte: Departamento de Estado dos EUA)
Discriminação Racial contra Soldados Americanos
Apesar da aparente solidariedade entre as duas nações, inúmeros relatos de discriminação contra soldados do exército dos EUA estacionados na Islândia foram registrados ao longo dos anos. A Islândia é conhecida por ter mentalidades nacionalistas fortes, e isso não era surpreendente.
No final da década de 1940, a Islândia, juntamente com a Groenlândia, o Canadá, a Terra Nova, que também faz parte do Canadá, e as Bermudas, não recebiam soldados afro‑americanos dos EUA estacionados em bases americanas em seu território.
Na década de 1950, essas nações foram retiradas da lista de países que não aceitavam soldados afro‑americanos, exceto a Islândia. Na época, a Islândia passava por intensas reconfigurações políticas. Associado a isso ao intenso nacionalismo do país e ao fato de os islandeses terem pouca afeição pelos países ocidentais, gerou uma forte aversão aos estrangeiros.
Em uma pesquisa secretamente criada pelos EUA em 1955, identificou‑se que menos de um terço dos islandeses apoiava o acordo de defesa. E na década de 1960, os deslocamentos fora da base dos soldados americanos eram altamente monitorados e restritos. O governo local fez isso para garantir que os soldados americanos não se misturassem com mulheres islandesas.
O governo local chegou a extremos ao propagar a segregação dos soldados americanos, excluindo especificamente soldados negros de conviver com mulheres islandesas. Os soldados foram proibidos de entrar nos poucos restaurantes e clubes de Reykjavik.
O governo dos EUA não teve escolha a não ser aceitar essas leis locais rigorosas para salvaguardar a presença de suas bases na Islândia. Mas em março de 1971, sob a administração de Nixon, os EUA levantaram formalmente essa questão ao governo islandês. O memorando detalhou reclamações contra a política rígida contra soldados americanos, especificamente soldados afro‑americanos.
O governo dos EUA apontou que a política é uma questão de direitos humanos. Benedikt Gröndal, primeiro‑ministro islandês, tentou suspender a rígida política de movimentação fora da base em 1979, mas a abolição só foi bem‑sucedida em 1989. (Fonte: MIT Press)






