No auge do movimento dos direitos civis, Martin Luthor King, Jr. falou da esperança de que todos os homens são criados iguais a partir dos degraus do Memorial Lincoln. Mas você sabia que King não foi o primeiro afro‑americano a se posicionar contra o racismo nos famosos degraus?

Quando a Daughters of the American Revolution negou o uso do Constitution Hall a Marian Anderson porque ela era negra, a primeira‑dama Eleanor Roosevelt ficou indignada. Ela renunciou imediatamente à DAR.

Quem foi Marian Anderson?

Em 27 de fevereiro de 1897, Marian Anderson nasceu em Filadélfia, Pensilvânia. Ela era a filha mais velha de um trabalhador afro‑americano de mina de carvão e comerciante de gelo. Anderson tinha talento para cantar. Ela era membro do coral da Union Baptist Church quando tinha apenas 6 anos. Ela também ganhou o apelido Baby Contralto aqui.

Os pais de Anderson apoiavam seus interesses musicais. Eles lhe compraram um piano quando ela tinha 8 anos, mesmo que não pudessem pagar aulas formais de música. Anderson era autodidata e muito dedicada ao coral. Ela ensaiou todas as partes de soprano, alto, tenor e baixo até dominá‑las.

Seu compromisso com a música inspirou o coral a arrecadar US$ 500 para pagar aulas de canto com o respeitado Giuseppe Boghetti. E, apenas dois anos depois de estudar com Boghetti, Anderson ganhou a oportunidade de cantar no Lewisohn Stadium, em Nova Iorque, após vencer um concurso organizado pela New York Philharmonic Society.

Sua carreira como cantora decolou. O presidente Franklin Roosevelt a convidou para se apresentar na Casa Branca, e ela foi a primeira afro‑americana a receber tal honra. Anderson também cantou o hino nacional durante a posse do presidente John F. Kennedy.

Anderson se aposentou das apresentações em 1965, mas ainda recebeu um Grammy de Contribuição Vitalícia apenas dois anos antes de falecer em 8 de abril de 1933. (Fonte: Biografia)

Anderson e o Concerto no Memorial Lincoln

Em 1939, Anderson foi convidada pela Howard University para cantar em Washington como parte de uma série de concertos patrocinada pela universidade. A universidade enfrentou um dilema devido ao sucesso e à reputação internacional de Anderson. Eles precisavam encontrar um local para a apresentação de Anderson e acomodar o público que esperavam.

Eles decidiram usar o Constitution Hall, de propriedade da Daughters of the American Revolution. A DAR recusou‑se a permitir o uso do salão simplesmente porque Anderson era uma mulher de cor e porque havia uma cláusula que permitia apenas artistas brancos em todos os contratos emitidos pela DAR.

Um dos membros da DAR na época acabou sendo a primeira‑dama, Eleanor Roosevelt. Ao saber da decisão de não permitir que Anderson tivesse acesso ao Hall, Roosevelt ficou furiosa. Ela enviou imediatamente uma carta de demissão do grupo e escreveu sobre o incidente em sua coluna semanal. Ela achou que eles haviam tomado uma ação amplamente criticada e que permanecer como membro da DAR implicava que ela aprovava a ação.

Walter White, então secretário executivo da NAACP, teve a ideia de fazer Anderson cantar ao ar livre nos degraus do Memorial Lincoln. O secretário do Interior, Harold Ickes, aprovou a logística e conduziu Anderson ao palco para sua apresentação histórica em 9 de abril de 1939. (Fonte: NPR)