Em 2021, grande parte do Rio Tâmisa em Londres congelou. Esse fenômeno natural surpreendeu muitas pessoas, pois foi a primeira vez que viram o rio congelar. Mas você sabia que o rio costumava congelar regularmente no passado?

O Rio Tâmisa congelava pelo menos uma vez por década entre os anos 1400 e 1800. Sabia‑se que o gelo era suficientemente espesso para suportar “Frost Fairs,”, onde as pessoas montavam lojas, pubs e pistas de patinação.

O Rio Tâmisa pode congelar?

É difícil acreditar que o Rio Tâmisa possa congelar no mundo de hoje. Mas no passado, não era uma visão incomum. Segundo historiadores, o grande rio em Londres congelou pelo menos 23 vezes entre 1408 e 1814. Contudo, durou apenas alguns dias.

De acordo com cientistas, alguns fatores permitiram que o grande rio congelasse no passado. O primeiro fator descoberto foi que o clima geral de Londres era, em média, cerca de um grau mais frio ao longo da história. Na época, a Terra vivia um fenômeno natural conhecido como a Pequena Idade do Gelo, causado por mudanças climáticas geológicas combinadas com erupções vulcânicas e muito baixa atividade de manchas solares.

Outro fator era que o grande rio era mais largo e raso do que hoje, pois não era limitado por margens de rocha sólida. Outra razão que permitia o congelamento eram as estreitas arcadas da antiga Ponte de Londres. As dezenove arcadas bloqueavam parcialmente a água no lado a montante, reduzindo o fluxo. Essas razões resultaram em alguns dias em que os londrinos desfrutavam da superfície sólida do rio.

Mas, apesar de ter congelado em 2021, como aconteceu em 1963, os londrinos não tentaram montar Frost Fairs. (Fonte: História Revelada)

Frost Fairs de Londres

A primeira Frost Fair documentada foi realizada em 1608, quando o Tâmisa congelou por seis semanas. A feira permitiu que marinheiros encalhados ganhassem dinheiro enquanto esperavam o degelo do rio para retomar seus trabalhos habituais nas águas.

As pessoas montavam lojas no gelo, vendendo vários itens que os visitantes compravam como lembrança de sua extraordinária experiência caminhando sobre o gelo. Tipógrafos também vendiam bilhetes personalizados com os nomes dos clientes, tornando‑os boas recordações.

As feiras também eram frequentemente visitadas pela realeza. Os bilhetes de Carlos II e de sua corte foram descobertos e preservados no Museu de Londres. Segundo o bilhete, o rei visitou a feira em 31 de janeiro de 1684. Outra figura da realeza que visitou uma das Frost Fairs foi o Príncipe de Gales.

Uma xilogravura sobrevivente dos anos 1700 mostrava as atividades habituais que se esperaria ao ir à Feira de Gelo. As pessoas jogavam boliche, comiam vários alimentos como carneiro ou boi assado diretamente no gelo. Também foi observado que os marinheiros transformavam seus barcos em trenós e permitiam que as pessoas deslizassem no gelo.

A última Feira de Gelo conhecida ocorreu em 1814, pois as temperaturas permaneceram abaixo de zero todas as noites entre 27 de dezembro de 1813 e 7 de fevereiro de 1814. As pessoas perceberam que outra Feira de Gelo estava a caminho. Ninguém sabia que esta seria a última Feira de Gelo que desfrutariam, graças às mudanças climáticas que o mundo experimentou. (Fonte: Museum of London)