O objetivo principal do governo é proteger seus cidadãos a todo custo. Mas e se você descobrisse que o governo tem realizado experimentos com total desrespeito à sua segurança? Foi exatamente isso que aconteceu nos Estados Unidos, quando se sabia pouco ou quase nada sobre radiação.

Nas décadas de 1940 e 1950, sabia‑se pouco sobre os efeitos da radiação nos seres humanos. Para estudá‑los, o governo dos EUA realizou testes de radiação em participantes desavisados, como pacientes, mulheres grávidas, prisioneiros e crianças com deficiência mental.

Experimentos Humanos com Radiação

Quando o Projeto Manhattan foi criado, os cientistas tinham pouco conhecimento sobre os efeitos do urânio e do plutônio na saúde humana, apesar de usá‑los para construir armas de destruição em massa.

Os líderes do projeto perceberam rapidamente as implicações de seus experimentos e logo criaram uma divisão de saúde. A divisão era liderada pelo Dr. Stafford Warren, radiologista da Universidade de Rochester. Warren foi designado como chefe médico, com três objetivos principais: proteger a saúde dos trabalhadores do projeto, proteger o público de quaisquer riscos que pudessem surgir do projeto, estudar os perigos da radiação e estabelecer tratamentos e tolerâncias.

Os laboratórios rapidamente analisaram dados provenientes de instrumentos, amostras de sangue e urina e exames físicos para compreender rapidamente e proteger os trabalhadores do projeto. Os cientistas também realizaram experimentos de radiação em animais.

No entanto, as informações obtidas foram insuficientes para determinar as diretrizes de radiação para os trabalhadores. Em 1944, Warren concluiu que testes controlados em humanos eram necessários. O plano era injetar pacientes civis com elementos radioativos como polônio, plutônio e urânio. O experimento ocorreu de abril de 1945 a julho de 1947 e foi realizado em hospitais afiliados ao Projeto Manhattan em Rochester, Oak Ridge, Chicago e São Francisco.

Dezoito sujeitos foram injetados com plutônio, seis com urânio, cinco com polônio e um com amerício. Devido ao sigilo do experimento, muitos dos médicos desconheciam as substâncias exatas que estavam injetando nos pacientes. E, dos cerca de 30 pacientes, apenas um assinou um termo de consentimento, um documento que nem sequer explicava plenamente o procedimento médico ou seus riscos.

A metodologia de amostragem dos pacientes também era incerta. Não havia semelhanças diretas entre os pacientes, exceto o fato de que nenhum deles fazia parte do Projeto Manhattan. Os experimentos continuaram durante a Guerra Fria, todos mantidos em segredo do público.

Na década de 1990, o Albuquerque Tribune revelou os referidos experimentos. O então presidente Bill Clinton criou um Comitê Consultivo sobre Experimentos Humanos com Radiação, e o Departamento de Energia realizou uma investigação aprofundada sobre esses experimentos.

Como resultado, muitos documentos foram desclassificados e inúmeras audiências foram realizadas. Em 1995, o DOE divulgou um relatório detalhando os experimentos, fez julgamentos éticos e deu recomendações sobre como o Congresso deveria proceder. Logo depois, foram aprovadas leis para proibir testes científicos secretos em humanos. (Fonte: Atomic Heritage)

O Projeto Manhattan

O Projeto Manhattan foi o projeto de pesquisa e desenvolvimento dos EUA criado durante a Segunda Guerra Mundial. O projeto foi estabelecido em 1942 e recebeu esse nome porque seu primeiro escritório ficava em 270 Broadway, Manhattan.

O projeto custou cerca de US$ 2 milhões e se concentrou no desenvolvimento de armamento atômico, cujos dispositivos posteriores causaram a destruição de cidades inteiras. O Projeto Manhattan é creditado por ter inventado as bombas atômicas Little Boy e Fat Man, que devastaram Hiroshima e Nagasaki.

O chefe do projeto, General Leslie R. Groves, garantiu a sigilo e a segurança do projeto. Embora mais de 130.000 pessoas fossem empregadas, a maioria delas não entendia suas tarefas.

Chegou a ser relatado que uma lavadeira recebeu uma ferramenta e deveria ouvir ruídos de clique. A lavadeira não sabia que estava segurando um contador Geiger usado para verificar os níveis de radiação dos uniformes. (Fonte: Fantastic Facts)