O útero é um órgão muscular oco situado dentro da pelve. Quando os ovários produzem óvulos, ele viaja pelas trompas de Falópio. Uma vez que o óvulo é fertilizado, ele se implanta no revestimento do útero. Embora hoje saibamos muito sobre esse órgão, na Grécia antiga acreditava‑se que o útero vagava livremente dentro do corpo.
Na Grécia antiga, acreditava‑se que o útero percorria todo o corpo como um animal em busca de um parceiro, causando “histeria” nas mulheres.

O Útero Errante

Histeria deriva da palavra grega hysterika, que significa útero. Na Grécia antiga, um útero inquieto e descontente era culpado pela histeria, a temida aflição feminina de emoção excessiva. Acreditava‑se que os sintomas da doença eram determinados pela localização do órgão problemático no corpo. Era uma crença social, não religiosa.

Hipócrates, um médico da Grécia antiga, foi um dos primeiros a reconhecer essa condição. Ele percebeu como a histeria era comum nas mulheres e assumiu que era causada por um útero deslocado ou errante. O termo histeria era usado para caracterizar a maioria dos distúrbios físicos e mentais femininos porque havia pouca compreensão da biologia das mulheres.

Os gregos acreditavam que as doenças das mulheres se originavam no útero. Um mito grego tem um impacto significativo nessa noção e na representação das mulheres na Grécia Antiga. Essa lenda é sobre Pandora. 

A ginecologia começou na Grécia antiga com o mito de Pandora, a primeira mulher, cuja aparência bela se acreditava esconder seu interior venenoso. Pandora, que aparece à humanidade masculina como atraente e casável, representa uma ameaça ao trabalho do curandeiro porque “sua aparência externa é enganosa, ocultando o fato de que seu corpo contém um útero voraz”.

Terri Kapsalis

O interior perigoso de Pandora é seu útero. Podemos relacionar esta passagem aos escritos do Corpus Hipocrático, onde o útero errante era culpado por todas as doenças. As pessoas na Grécia Antiga acreditavam que o útero de uma mulher viajava ao redor de seu corpo. 

Os médicos ofereciam uma variedade de tratamentos para atrair o útero de volta ao seu lugar. As mulheres eram instruídas a aplicar mel na região vaginal e a consumir dentes de alho. A ideia era que o cheiro doce do mel atrairia o útero, enquanto o cheiro de alho o repeliria.

O médico pressionará o útero para baixo e então prenderá uma bandagem abaixo das costelas para impedir que ele suba novamente se tiver se deslocado em direção ao fígado. Outros autores hipocráticos recomendavam poções, fumigações e banhos quentes e frios como curas. Sexo e gravidez, por outro lado, eram as curas definitivas. Pensava‑se que, quando uma mulher não tem relações sexuais, seu útero fica seco e tende a se deslocar. (Fonte: Literary Hub)

Histeria Ligada ao Diabo

As crenças no sobrenatural e no demoníaco eram populares ao longo da Idade Média. Considerava‑se obra do Diabo quando os médicos não conseguiam explicar um sintoma ou condição. Muitas doenças eram atribuídas à bruxaria, possessão ou associação com o Diabo, incluindo a histeria.

Infelizmente, as mulheres que sofriam de histeria eram vistas como bruxas em vez de pacientes na época. O exorcismo era a terapia ou punição. Isso surgiu das dores de crescimento de uma mudança cultural: no final da Idade Média, uma tendência mais secular atacou o cristianismo, provocando inquisções, caças às bruxas e pânico.

As mulheres sentiram o impacto da ansiedade. Como a doença mental é tão difícil de explicar, mulheres melancólicas ou tristes eram frequentemente acusadas. As mulheres eram regularmente condenadas à morte ou tortura por feitiçaria durante esse período porque eram propensas à violência interpessoal, e mulheres idosas e viúvas frequentemente lamentavam seus entes queridos perdidos. (Fonte: Literary Hub)