Durante a Idade Média, a cirurgia raramente era realizada ou conduzida por médicos de verdade. A tarefa era delegada a especialistas que possuíam lâminas e eram bastante precisos em seu ofício. Mas quem era designado para realizar cirurgias nessa era?
A cirurgia foi confiada aos barbeiros na Idade Média porque era considerada uma tarefa muito humilde para os médicos realizarem.
O Barbeiro‑Cirurgião
Um barbeiro‑cirurgião era um cirurgião que podia realizar operações como sangria, terapia de ventosas, extração de dentes e amputação. Os barbeiros também podiam dar banho, cortar, barbear, aparar pelos faciais e administrar enemas aos seus clientes. O barbeiro‑cirurgião servia no exército durante tempos de guerra, mas em tempos de paz, ele podia atender civis.
Os barbeiros‑cirurgiões, um dos profissionais médicos mais comuns da Europa na Idade Média, eram responsáveis por cuidar dos soldados durante e após a batalha. Os barbeiros, que possuíam lâminas e a coordenação necessária para seu trabalho, eram convocados para diversas operações, desde cortar cabelo até amputar membros, durante esse período.
A mortalidade cirúrgica era extremamente alta devido à perda de sangue e infecção. Os barbeiros usavam sanguessugas porque os médicos acreditavam que a sangria era um tratamento para a doença. Os médicos, por outro lado, consideravam‑se superiores à cirurgia. Eles geralmente atendiam pacientes cirúrgicos e ofereciam consultas, mas preferiam a academia, trabalhando em universidades, ou vivendo em castelos onde tratavam os ricos. (Fonte: Encyclopedia of Medical History)
A Idade Média na Europa
Os monges precisavam manter a tonsura devido a regras religiosas e de higiene. Como cada mosteiro precisava ensinar ou contratar um barbeiro, surgiu um mercado para barbeiros. Eles realizavam sangrias e outros procedimentos menores, como extração de dentes e preparação de pomadas. Por volta do ano 1000 d.C., os primeiros barbeiros‑cirurgiões foram reconhecidos e trabalharam em mosteiros.
Como os médicos realizavam cirurgias tão raramente, barbeiros e outros paraprofissionais médicos, como cataracteiros, craniotomias, litotomistas, parteiras e castradores de porcos, prosperaram durante a Idade Média. Os barbeiros que faziam flebotomias e escarificações alarmaram Bruno da Longobucco, um cirurgião italiano que escreveu sobre cirurgia em 1254. (Fonte: Hekint)
Tradições no Século XXI
Existem poucos indícios das conexões dos barbeiros com o lado cirúrgico da medicina. O clássico poste vermelho e branco do barbeiro, ou um equipamento de ferreiro modificado, acredita‑se que simboliza o sangue e as bandagens associados ao seu dever histórico.
Outro vestígio é o uso, pelos médicos, do termo Sr. em vez de Dr. ao concluir suas qualificações cirúrgicas. Esse costume é quase exclusivo do Reino Unido, da Irlanda e, em menor grau, da África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, todos países da Commonwealth.
Embora todos os cirurgiões nesses países agora precisem de um diploma de medicina e vários anos adicionais de treinamento e certificação cirúrgica, essa prática remonta aos tempos em que os cirurgiões não precisavam de formação universitária em medicina. Essa ligação com o passado é mantida. Eles não cortam mais cabelos, tarefa que os barbeiros mantiveram. (Fonte: Royal College of Surgeons of England)






