Phineas Taylor Barnum foi considerado um dos empreendedores e entretenedores mais notáveis do século XIX. Ele era tanto engenhoso quanto excelente em táticas de marketing. Mas você sabia que sua primeira exposição explorou uma pessoa escravizada até depois de sua morte?
Joice Heth era uma mulher afro‑americana idosa e escravizada. Ela foi a primeira exposição do magnata de circo P.T. Barnum em 1835, alegando ter 161 anos de idade e ser a babá de George Washington.
A Exposição de Joice Heth
Em agosto de 1835, P.T. Barnum estava apenas começando sua carreira como dono de circo e showman nos EUA. Ele pagou ao promotor R.W. Lindsay uma grande soma de dinheiro, equivalente a US$ 1.000, pelos direitos da história de uma certa pessoa chamada Joice Heth. (Fonte: Mount Vernon)
Segundo Lindsay, Heth era uma pessoa escravizada que foi propriedade do pai de George Washington, Augustine Washington. Em 1727, ela foi vendida à cunhada de Washington, Elizabeth Atwood. A história de Lindsay afirma que, no momento da compra, Heth já tinha 54 anos. E quando George Washington nasceu, Heth foi devolvida à família para servir como babá do bebê Washington.
Muitos promotores usaram essa história para exibir Heth, mas obtiveram pouco sucesso. Quando Barnum adquiriu os direitos, trouxe a senhora idosa para Nova Iorque. Ele e seu parceiro, Levi Lyman, exibiram‑na em tavernas, pousadas, museus, casas de ferrovia e salas de concerto. Barnum anunciava Heth como tendo 161 anos e tendo sido babá do jovem George Washington, chamando‑a de A Maior Curiosidade Natural & Nacional do Mundo.
Barnum explorou a adulta idosa de agosto de 1835 até sua morte em fevereiro de 1836. Heth, na época, estava completamente cega e quase paralizada. A exposição de Barnum atraiu muitas pessoas que queriam tocar nas mãos de Heth. Eram as mãos que cuidaram de George Washington. Heth também era conhecida por contar histórias sobre o jovem Washington durante essas exposições.
Conforme os meses passavam, as vendas de ingressos diminuíam. Para impulsionar as vendas da exposição de Heth, Barnum escreveu uma carta anônima a um jornal de Boston alegando que Heth não era uma pessoa real. Barnum afirmava que Heth era uma máquina feita de ossos de baleia e couro velho. Isso fez com que as vendas de ingressos da exposição de Heth aumentassem novamente. (Fonte: Lost Museum)
A Morte e Autópsia de Joice Heth
A saúde de Heth declinou rapidamente devido a todas as exibições que Barnum programou. Ela morreu em fevereiro de 1836. Mas a morte de Heth não impediu o showman de ganhar dinheiro com ela. Barnum organizou uma autópsia pública de Joice Heth em 25 de fevereiro de 1836. (Fonte: Mount Vernon)
O Dr. David Rogers realizou a autópsia e determinou a idade real de Heth. Barnum cobrou quase 1.500 espectadores 50 centavos cada para assistir o médico dissecar Heth.
Ao concluir o procedimento, Rogers declarou que a idade de Heth era entre 75 e 80 anos, muito diferente do que Barnum afirmava ser sua idade. Após a descoberta, Barnum alegou que havia sido enganado pelo promotor anterior ao acreditar na idade de Heth, como foi publicado no New York Sun.
A manipulação das multidões por Barnum não parou por aí. Ele entendia como manipular jornais e ainda compreendia como usar a rivalidade entre jornais a seu favor. Apesar da publicação do New York Sun de que Barnum não sabia a idade real de Heth, o rival do jornal, o New York Herald, publicou uma história diferente.
No mesmo dia em que o Sun publicou a história, 27 de fevereiro de 1836, o Herald publicou uma manchete alegando que a mulher que Rogers autopsiou não era Heth. Embora a fonte dessa alegação seja incerta, essas manchetes ajudaram a promover Barnum. (Fonte: Lost Museum)






