Quando a sonda da NASA Pioneer 10 passou por Júpiter em 1973, enviou aos cientistas algumas leituras enigmáticas tiradas da atmosfera superior do planeta.

Até então, a maioria dos pesquisadores planetários acreditava que as camadas superiores de Júpiter seriam bastante frias, considerando a distância do gigante gasoso em relação aos raios quentes do sol.

E Júpiter não é o único planeta com esse problema: os cientistas têm dificuldade em explicar por que outros gigantes gasosos também são tão quentes, relata Becky Ferreira para a Motherboard.

“Para todos esses planetas [gigantes gasosos], temos um problema em explicar por que suas atmosferas superiores são tão quentes assim,” diz Luke Moore, cientista pesquisador da Boston University e coautor do estudo, a Ferreira.

Usando dados de temperatura coletados pelo NASA Infrared Telescope Facility no Havaí, O’Donoghue e Moore descobriram que a Grande Mancha Vermelha é mais de duas vezes mais quente que as temperaturas médias encontradas no resto da atmosfera de Júpiter.


Fonte: https://www.smithsonianmag.com/smart-news/jupiters-great-red-spot-also-red-hot-180959949/

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter Também Está Quente

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é a característica mais marcante do gigante gasoso. Uma tempestade giratória de gás que dura há centenas de anos, a Mancha também é a fonte de alguns dos maiores mistérios do planeta. Agora, graças a uma nova pesquisa publicada na revista Nature, um desses mistérios pode ter sido resolvido.

Quando a sonda da NASA Pioneer 10 passou por Júpiter em 1973, enviou aos cientistas algumas leituras enigmáticas tiradas da atmosfera superior do planeta. A temperatura do planeta era muito mais alta do que eles imaginavam.

Até então, a maioria dos pesquisadores planetários acreditava que as camadas superiores de Júpiter seriam bastante frias, considerando a distância do gigante gasoso dos raios quentes do sol. Mas, em vez dos -100 graus Fahrenheit que esperavam, a Pioneer 10 relatou que a atmosfera de Júpiter na verdade pairava em torno de 1.000 graus, relata Kenneth Chang para o New York Times.

“Essencialmente, há uma certa crise acontecendo,” diz James O’Donoghue, pesquisador da Boston University e autor do estudo, a Chang. “Isso evidencia uma grave falta de conhecimento.”

Na verdade, ao longo dos anos, o problema recebeu o apelido de “crise de energia” de Júpiter devido à enorme diferença entre a energia que o planeta precisava para permanecer tão quente e o que os cientistas haviam teorizado. E Júpiter não é o único planeta com esse problema: os cientistas têm dificuldade em explicar por que outros gigantes gasosos também são tão aquecidos, relata Becky Ferreira para a Motherboard.

“Para todos esses planetas [gigantes gasosos], temos um problema em explicar por que suas atmosferas superiores são tão quentes quanto são,” diz Luke Moore, cientista pesquisador da Boston University e coautor do estudo, a Ferreira. “Sempre que há um problema que não conseguimos explicar, isso implica que há alguma compreensão ausente em nossa ciência desses planetas.”

Embora os cientistas tenham proposto todo tipo de ideias, como as auroras polares de Júpiter que podem ajudar a aquecer o planeta, até agora a maioria delas apresentava alguma falha fatal. Agora, porém, parece que a peça faltante do quebra‑cabeça pode ter sido encontrada.

Usando dados de temperatura coletados pelo NASA Infrared Telescope Facility no Havaí, O’Donoghue e Moore descobriram que a Grande Mancha Vermelha é mais de duas vezes mais quente que as temperaturas médias encontradas no restante da atmosfera de Júpiter. Com mais de 2.400 graus Fahrenheit, os pesquisadores acreditam que a Grande Mancha Vermelha pode ser parcialmente responsável por aquecer todo o gigante gasoso, relata Loren Grush para o The Verge.

A chave pode estar nos ventos da Mancha, que sopram a velocidades de até 400 milhas por hora. Com tanta turbulência, também seria bastante barulhenta, gerando ondas sonoras que se propagam para cima e agitam os átomos na atmosfera superior. Isso daria até mesmo às regiões mais distantes da atmosfera de Júpiter um impulso extra de energia, ajudando‑a a permanecer quente, relata Grush.

“Uma boa analogia para isso é praticamente como mexer uma xícara de café com uma colher,” O’Donoghue diz a Grush. “Se você a mexer no sentido horário, mas então de repente a mexer no sentido anti‑horário, haverá muita agitação… E essa agitação, você pode realmente ouvir. Isso indica que há, de fato, algumas ondas sonoras provenientes dessa agitação.”

Essas novas descobertas não apenas fornecem novas evidências de por que Júpiter é tão quente, mas sugerem que as regiões superior e inferior de sua atmosfera são muito mais interconectadas do que os cientistas imaginavam. Com esses novos dados em mãos, os pesquisadores agora estão analisando outras tempestades jovianas menores para ver se o mesmo acontece lá também. Com a espaçonave Juno da NASA finalmente em órbita ao redor do gigante gasoso após anos voando pelo espaço, Júpiter pode não permanecer tão misterioso por muito tempo.