Sabemos que o leite é um alimento líquido rico em nutrientes cultivado pelos mamíferos através das glândulas mamárias. Ele serve como a principal fonte de nutrição para os mamíferos jovens antes que possam digerir alimentos sólidos. Sim, isso também inclui bebês humanos amamentados. Mas você sabia que, no século XIX, o leite era praticamente inseguro para consumo?
No século XIX, para melhorar a aparência e o sabor do leite, os produtores de laticínios dos EUA costumavam misturá-lo regularmente com água, giz, fluido de embalsamamento e até cérebros de vaca. Centenas de crianças morreram devido à contaminação.
Quem é John Newell Hurty e qual é a sua defesa?
John Newell Hurty nasceu em Lebanon, Ohio. Antes de se formar no Medical College of Indiana em 1891, ele frequentou tanto o Philadelphia College of Pharmacy de 1871 a 1872 quanto o Franklin Institute de 1871 a 1873. Ele foi farmacêutico, educador médico, defensor da saúde pública e legislador estadual.
Hurty começou como farmacêutico antes de ser contratado como químico‑chefe da nova empresa de fabricação de medicamentos do Coronel Eli Lilly’s em Indianápolis em 1873. Muitas das pragas da época, da tifo à disenteria, se espalhavam devido à falta de saneamento, e Hurty fez questão de denunciar moscas, sujeira e dedos sujos.
No final do século XIX, Hurty fez do leite, alimento básico das casas, um de seus principais alvos. Naquela época, a indústria de laticínios americana era notoriamente irresponsável. Isso o enfureceu a ponto de ele ter publicado cartazes para distribuição estadual ilustrando os túmulos de crianças mortas por leite sujo.
Embora a defesa de Hurty’ tenha persuadido o Indiana a aprovar uma lei de segurança alimentar em 1899, muitos de seus colegas descobriram que o leite apresentava um desafio particularmente assustador. O leite da época estava ou infestado de bactérias ou preservado com compostos tóxicos.
Não eram apenas cepas de bactérias perigosas que tornavam o leite do século XIX pouco confiável. O pior eram as inúmeras artimanhas usadas pelos laticinistas para aumentar seus lucros. Os fazendeiros de laticínios diluíam o leite com água que às vezes continha um pouco de gelatina e o recoloravam, transformando‑o em um líquido azul‑acinzentado com corantes, giz ou pó de gesso, com muita frequência, não apenas em Indiana, mas em todo o país. Eles também criavam a ilusão de um creme rico ao colocar uma camada amarelada de cérebro de bezerro purê por cima.
E o pior de tudo, quando o leite começava a azedar, os laticinistas adicionavam formaldeído, um composto de embalsamamento usado há muito tempo por funerárias, para impedir a decomposição. Hurty estava tão preocupado que, em 1899, defendia a abolição do uso de formaldeído, citando, com o crescente conhecimento, que o composto poderia ser perigoso mesmo em pequenas doses, particularmente para crianças.
Hurty citou as mortes de mais de 400 crianças devido a uma combinação de formaldeído, sujeira e bactérias no leite. Finalmente, em 1906, a Lei Federal de Alimentos e Medicamentos Puros determinou que o composto seria proibido no leite. (Source: Smithsonian Magazine)
Quais foram as outras causas defendidas por John Newell Hurty?
John Newell Hurty foi definitivamente um defensor da saúde pública. Ele ajudou a promulgar várias leis, incluindo a Lei de Alimentos e Medicamentos Puros, a Lei Anti‑Rato, a Lei do Colchão Sanitário e a Lei Anti‑Tuberculose. Ele também combateu as moscas, lutou pela sanitização de restaurantes e defendeu a pasteurização do leite. Controle de rótulos de alimentos, poluição de córregos e descarte de esgoto também foram implementados. (Source: Indystar)






