Foi uma surpresa para todos quando a Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (ASPCA), que se dedica à proteção animal, salvou uma criança que era vítima de abuso. Com a falta de uma agência de proteção infantil adequada, uma organização foi finalmente criada para atender às necessidades dos vulneráveis. 

O resgate da criança Mary Ellen de sua casa abusiva tornou-se um indicador evidente de que os serviços de proteção infantil precisavam ser amplamente disseminados para salvar outras crianças em situações cruéis. 

Mary Ellen e a Sociedade Animal Única

A Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra os Animais, ou ASPCA, foi fundada por Henry Bergh em 1866. Henry Bergh era um cidadão rico de Nova Iorque que desejava que a ASPCA fosse um espelho da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals, situada na Inglaterra.

Quando Henry fundou a ASPCA, ela se tornou a primeira organização nos Estados Unidos da América dedicada à proteção e resgate de animais. Anos se passaram e, no início da década de 1870, Mary Ellen Wilson, que era uma criança pequena, foi salva pela ASPCA de uma situação abusiva em sua casa.

O resgate de Mary Ellen Wilson se tornou um catalisador que inspirou Henry Bergh e Elbridge Gerry a fundar a Society for the Prevention of Cruelty to Children, ou SPCC, tornando-se a primeira organização no mundo inteiro a cumprir esse objetivo.

Como visto no New York Herald, escrito por Jacob Riis, Henry Bergh afirmou que o mínimo que poderiam ter feito por Mary Ellen era conceder-lhe os mesmos direitos de um animal que precisava ser salvo, já que ela não havia recebido justiça em sua situação. (Fonte: The Organization of American Historians

O Desenvolvimento da ASPCA

Organizações criadas para proteger crianças e animais tornaram-se difundidas após o resgate de Mary Ellen. Quando chegou 1908, já existiam 185 sociedades dedicadas ao resgate de crianças e animais, chamadas de sociedades humanitárias. Além disso, havia também 149 outras organizações que se especializavam na proteção de crianças ou de animais. Esse conjunto de organizações acabou levando à criação da American Humane Association em 1877, servindo como a organização nacional que se centrava na proteção de crianças e animais.

A intenção de Henry Bergh para a ASPCA não era apenas ensinar os indivíduos das comunidades a tratar os animais com gentileza; Bergh também via a ASPCA como uma plataforma para estar em posição de criar leis que garantissem segurança aos animais e participar da aplicação da lei.

Bergh teve sucesso em seu objetivo de criar uma lei que considerasse a crueldade contra animais como crime e conceder autoridade à ASPCA para buscar a conformidade com os termos da lei. As regras estabelecidas por Bergh mostraram-se diferentes das leis da Inglaterra, pois não consideravam o abuso animal como destruição de propriedade ou obstrução da paz; viam o abuso animal em relação aos direitos violados dos próprios animais.

Esse tema único e positivo de legislação se espalhou para 47 outros estados que adotaram uma lei semelhante e, em pouco tempo, as pessoas depositaram sua confiança nas sociedades anti-crueldade para promover a paz. (Fonte: The Organization of American Historians