O décimo sétimo presidente da Libéria faz parte do Livro Guinness dos Recordes Mundiais. Na verdade, seu recorde é indiscutível, até hoje. O que ele fez para obter tal reconhecimento?

A eleição mais fraudulenta da história foi vencida por Charles D. B. King. Ele foi eleito Presidente da Libéria com 234,000 votos em 1927, embora o país tivesse apenas 15,000 eleitores registrados na época.

Quem é Charles D. B. King?

Charles Dunbar Burgess King nasceu em 12 de março de 1875, em Monrovia, Libéria, filho de T. O. King e Elizabeth Jean Hamilberg. King era de descendência americo-liberiana. Os americo-liberianos traçam sua ascendência a antigos e libertos escravos americanos que se estabeleceram na Libéria no século XIX. (Fonte: Liberia Info)

King obteve seu diploma em direito no Liberia College, que mais tarde se tornou o escriturário-chefe do Departamento de Estado. Ao mesmo tempo, ele era professor de direito e presidente nacional do Partido Whig Verdadeiro. King tornou-se procurador‑geral em 1904, depois passou a ser secretário de Estado em 1912, e finalmente presidente da Libéria de 1920‑1930.

Após sua presidência, King tornou‑se o primeiro enviado liberiano em Washington. King também se tornou o primeiro representante liberiano nas Nações Unidas. King aposentou‑se do serviço público em 1952 e dedicou‑se à Igreja Episcopal Protestante e a trabalhos maçônicos até sua morte, aos 90 anos, em 1961. (Fonte: Liberia Info)

O Livro Guinness dos Recordes Mundiais

King realizou muitas coisas durante seu tempo como servidor público. Infelizmente, a única realização pela qual ele é sempre lembrado foi como venceu sua presidência.

A vitória de King’s sobre seu oponente, Faulkner, nas eleições liberianas de 1927 foi considerada a eleição “mais fraudada” de todos os tempos. A vitória foi fraudada, e ganhou uma entrada no Livro Guinness dos Recordes Mundiais em 1982. (Fonte: Standard Media)

King, que era membro do Partido Whig Verdadeiro, concorreu ao seu terceiro mandato como presidente. Seu oponente, Thomas J. Faulkner do Partido do Povo, obteve 9,000 votos enquanto King recebeu 234,000 votos. O que surpreende é que o número de eleitores registrados é de apenas 15,000.

King deixou o cargo em 1930 por um motivo diferente e não pelo esquema de fraude eleitoral que cometeu. (Fonte: Liberia Past and Present)

Escândalo de Trabalho Forçado e Escravidão

Após sua derrota nas eleições de 1927, Faulkner acusou King e muitos membros do Partido Whig Verdadeiro de ainda praticarem a escravidão. Apesar das veementes negativas da Libéria e da recusa em cooperar, a Liga das Nações criou uma comissão liderada pelo zoólogo britânico Cuthbert Christy para avaliar a quantidade de trabalho forçado e escravidão ainda presente no país. (Fonte: People Pill)


O Relatório Christy foi publicado em 1930, apoiando muitas das acusações de Faulkner. O relatório também implicou muitos políticos do Partido Whig Verdadeiro, incluindo King e seu vice‑presidente, Allen Yancy. O relatório revelou que os oficiais do Partido Whig Verdadeiro utilizavam trabalho forçado para construir obras públicas específicas, como rodovias no interior. Com as conclusões do relatório, King, juntamente com Yancy e outros líderes políticos implicados, renunciaram ao cargo. (Fonte: People Pill)