Podemos dizer com segurança que muitas pessoas não estão satisfeitas com seus empregos. Na maioria das vezes, elas nem sequer pensariam duas vezes em permanecer em um trabalho tedioso, mas será que existe um emprego entediante a ponto de você processar seu empregador por isso?
Frédéric Desnard, um gerente francês que trabalha para uma empresa internacional de perfumes, recebeu €40,000 dos tribunais franceses por estar entediado demais com seu trabalho. Apesar de ser bem pago, ele sofreu um colapso nervoso por causa disso.
A história de Frédéric Desnard
Interparfums é uma empresa de perfumes com sede na França. A empresa desenvolve, fabrica e distribui perfumes de prestígio e cosméticos para marcas conhecidas como Abercrombie & Fitch, Anna Sui, Coach, DKNY, Dunhill, Ferragamo, GUESS e Hollister, entre outras. Atualmente, a empresa possui as fragrâncias Lanvin e a marca Rochas. (Fonte: Interparfums Inc.)
Em dezembro de 2006, Frédéric Desnard ingressou na empresa de fragrâncias como gerente. Segundo colegas anteriores, Desnard era um funcionário exemplar. Ele demonstrou dedicação ao seu trabalho na renomada empresa de fragrâncias.
Mas, em 2009, Desnard percebeu que sua carga de trabalho começou a diminuir. Tarefas que ele costumava fazer foram retiradas dele. Isso começou a piorar três anos depois, quando a Interparfums perdeu um contrato importante. A empresa começou a demitir funcionários. Felizmente, Desnard conseguiu manter seu emprego na Interparfums.
Com o passar dos anos, o gerente francês logo se cansou de seu trabalho. Não foi a abundância de tarefas que o esgotou, mas o contrário. Ele não recebeu nenhuma tarefa significativa. Desnard alegou que só lhe foram atribuídas tarefas triviais, como comprar material de escritório, reparar um gerador a vapor, reconfigurar um tablet e fazer recados para o presidente.
Desnard descreveu seu dia de trabalho como jornadas de 20 a 40 minutos, nas quais sua função oficial era concluída nesse período. E, depois disso, ele não tinha mais nada para fazer. Apesar de ter um salário anual de €80,000, ele se sentia muito cansado da sua carga de trabalho de nada. Também sentia culpa e vergonha por ganhar essa quantia de dinheiro sem fazer nada.
Além disso, Desnard sentia que era invisível na empresa, que ninguém se importava com o horário em que ele chegava. O advogado de Desnard, Montasser Charni, afirmou que ele foi destruído moralmente, e isso se manifestou fisicamente.
Desnard estava literalmente entediado até perder a razão. Praticamente o oposto de um burnout. Isso fez com que ele tivesse um episódio epiléptico enquanto dirigia. O episódio provocou um acidente que levou Desnard a entrar em coma por vários dias. (Fonte: NDTV)
Caso Legal de Desnard
Em setembro de 2014, Desnard foi demitido de seu cargo após estar de licença médica por sete meses. O gerente francês considerou que sua demissão foi injusta, visto que ele sofreu um acidente e foi colocado em licença médica. (Fonte: Staffing Industry)
Ele então apresentou uma queixa ao tribunal de relações trabalhistas, afirmando que seu trabalho o transformou em um zumbi profissional. Charni alegou em tribunal que Desnard foi morto profissionalmente por tédio.
O advogado da Interparfums, Jean-Philippe Benissan, alegou em tribunal que Desnard nunca tentou contatar a administração para expor sua situação. Benissan também afirmou que ele não notificou a agência de saúde e segurança do trabalhador. O advogado ainda especificou que Desnard tem recebido consistentemente um atestado de boa saúde ao longo dos anos.
Benissan também destacou em tribunal que pode ser estratégia de Desnard lucrar com sua situação, pois, no passado, Desnard entrou com outro processo no tribunal de relações trabalhistas contra a Interparfums, alegando que estava sobrecarregado.
Mas, segundo Charni, Desnard não quis contatar a administração da empresa simplesmente porque estava agradecido por ainda estar empregado, apesar de muitos de seus colegas terem sido demitidos. Charni também alegou que o bore out era uma forma de assédio no ambiente de trabalho, o que o Tribunal de Apelações de Paris concordou. O tribunal francês concedeu a Desnard €40.000 por isso. (Fonte: NDTV)





