Starbucks é uma das empresas internacionais de maior sucesso no mundo. Seu sucesso decorre do fato de que proporcionou uma experiência que mudou a forma como grande parte do mundo pensa sobre cafeterias e como muitos de nós bebemos café fora de casa. Enquanto a parte frontal do espectro nos mostra o quão grande é a marca Starbucks, você sabia que eles têm um problema de trabalho escravo? 

 

Em 2018, descobriu‑se que o café da Starbucks tinha ligações com plantações de trabalho forçado onde os trabalhadores eram submetidos a servidão por dívida e condições de trabalho inseguras. Ironia do destino, a notícia foi divulgada 8 meses depois de serem nomeados uma das Empresas Mais Éticas do Mundo pelo 12º ano consecutivo.

 

A Questão do Trabalho Escravo da Starbucks

Inspectores trabalhistas locais publicaram relatórios em 2018 que ligaram a Starbucks diretamente a uma plantação onde os trabalhadores eram forçados a viver e trabalhar em condições insalubres. 

Os trabalhadores desta plantação relataram morcegos e ratos mortos em sua comida, falta de saneamento e jornadas de trabalho que duravam das 6h às 23h. Os trabalhadores afirmaram que o sistema de pagamento era manipulado e que o café que selecionavam desaparecia antes mesmo de ser contabilizado.

Os trabalhadores recebiam quase nenhum salário líquido devido a deduções para o pagamento de seus cheques. Embora a plantação possuísse a certificação Coffee and Farmer Equality (CAFE) da Starbucks, a Starbucks recentemente negou a compra da fazenda. As Práticas CAFE permitem que as inspeções ocorram com intervalos de 2‑3 anos, dependendo de vários fatores, incluindo pontuações de inspeções anteriores. 
Em um caso mais recente, inspetores trabalhistas descobriram trabalhadores em condições igualmente deploráveis em outra plantação que havia sido certificada segundo os padrões da Starbucks. Trabalhadores que labutam em condições de trabalho semelhantes à escravidão atingiram o maior nível em 15 anos em 2018. Essa informação foi obtida do Ministério do Trabalho brasileiro. (Fonte: Fair World Project)

Apoiar Pequenos Agricultores é o Caminho para Quebrar o Ciclo de Explorações? 

Pequenos agricultores cultivam 80% do café, com um estimado de 25 milhões deles em todo o mundo. No entanto, o Brasil tem uma longa história de produção de café em grande escala. Proprietários de terra construíram vastas plantações no início dos anos 1800, expandindo sua produção sobre as costas de milhares de africanos escravizados trazidos da África. 

Mesmo depois que a escravidão foi abolida no final da década de 1880, o mesmo desequilíbrio de poder ainda persiste. Alguns proprietários controlam vastas extensões de terra, e muitas, muitas mais pessoas ficaram sem terra e foram exploradas por seu trabalho. O Brasil não está sozinho nesse aspecto. De fato, a agricultura de plantation em larga escala baseia‑se nesse modelo em toda a América.
Exigir que a Starbucks apoie pequenos agricultores é exigir que eles contribuam para a transformação desse sistema baseado na exploração. O Fairtrade estabelece preços mínimos e fundos de prêmio que agricultores e cooperativas controlam democraticamente. (Fonte: Fair World Project)

O Fair Trade Ajudará no Sustento dos Agricultores? 

Os agricultores Fairtrade têm uma chance maior de sucesso. De acordo com a Fairtrade International, um preço mínimo de $1.60 por libra para café convencional e $1.90 para café orgânico. Os agricultores lideram o Simbolo Pequeno Productores, ou Símbolo de Pequenos Produtores (SPP), com um mínimo de $2.20.

O preço por libra é uma questão crítica. Por outro lado, o volume é um contribuinte significativo para a renda da fazenda. O impacto geral é reduzido se um agricultor só puder vender uma parte de sua colheita a um preço mais alto.
Há muito café disponível de agricultores que já passaram pelo processo de certificação. Eles precisam de compradores dispostos a se comprometer com termos de comércio justo. (Fonte: Fair World Project)