Um dos fenômenos naturais mais fascinantes e inspiradores é a migração de aves — mas como os cientistas descobrem para onde todas essas aves estão indo?
Os cientistas europeus tinham pouca evidência de que as aves migravam durante o inverno até o século XIX. Os cientistas só tiveram prova definitiva da migração de longa distância quando uma cegonha retornou com uma flecha feita de madeira africana atravessando seu pescoço.
História Antiga da Migração de Aves
Culturas indígenas criam uma variedade de lendas e histórias sobre aves migratórias. Por exemplo, os povos athabascanos no Alasca contam a história de “Corvo e Esposa‑Ganso”, na qual o Corvo se apaixona por um belo ganso, mas não pode ficar com ela porque não consegue acompanhar a família de gansos enquanto migram para o sul através do oceano.
Embora Aristóteles tenha identificado corretamente alguns aspectos da migração de aves em sua Historia Animalium no século IV a.C., ele hipotetizou que as andorinhas hibernam em fendas e que alguns residentes de inverno e verão são as mesmas aves em plumagens diferentes. (Fonte: Audubonva)
A Cegonha de Flecha
Uma Cegonha Branca ajudou a resolver o mistério em 1822. Com uma lança de 30 polegadas atravessando seu pescoço, a ave pousou perto da aldeia alemã de Klütz. A lança foi feita de madeira africana, implicando que essa cegonha deve ter cruzado continentes.
Sendo um povo literal, os alemães acharam que esse animal estranho e novo merecia um novo nome: Pfeilstorch, ou cegonha‑flecha. Surpreendentemente, 24 Pfeilstorchs subsequentes — aves que migraram com sucesso para a Europa com uma lança africana embutida em sua carne — foram registrados.
O Pfeilstorch foi a primeira evidência tangível da migração, que é o movimento anual e em grande escala das aves entre territórios de reprodução e não‑reprodução. A migração não é tão fantástica quanto viagens espaciais ou metamorfose, mas não é menos impressionante.
Vinte e cinco Pfeilstorchs foram registrados viajando 2.000 milhas até a África, sendo empalados, e depois retornando 2.000 milhas. Sua viagem de ida e volta de 4.000 milhas empalidece em comparação com a jornada de 60.000 milhas da Tern Ártica entre os polos. A migração da Andorinha‑comum é mais curta, viajando de seus locais de reprodução na Escandinávia para seus locais de alimentação na África Subsaariana.
No entanto, graças ao desenvolvimento recente de acelerômetros leves, comumente encontrados em smartphones, os pesquisadores provaram que a Andorinha‑comum tem o voo ininterrupto mais longo de qualquer ave. As Andorinhas‑comuns comem, bebem, acasalam e até dormem enquanto voam; como resultado, algumas delas nunca põem os pés no continente africano ao qual retornam a cada ano. Essas aves estão no ar há dez meses desde que pousaram na Escandinávia.
Embora tenhamos evidências de migração há quase 200 anos, isso ainda nos intriga de muitas maneiras. Ainda não sabemos o que causa a migração, como as aves navegam pelos oceanos, ou por que as aves escolhem embarcar em jornadas tão longas e difíceis em primeiro lugar. Com todas essas incógnitas, uma coisa é certa: inovações tecnológicas como acelerômetros e eventos fortuitos como o Pfeilstorch continuarão a lançar luz sobre um dos mistérios mais fascinantes da natureza.
As aves migram longas distâncias para áreas de inverno, como demonstrado pelo Pfeilstorch de Rostock. (Fonte: Audubonva)






