Em 1994, um jornalista esportivo de Toronto encontrou na Goodwill um casaco verde com uma etiqueta de 5 dólares. Não era uma falsificação. Era um autêntico casaco do Augusta National, uma das peças de roupa mais rigidamente controladas do esporte.[1][2]
Só isso já era estranho o bastante. Depois, a história do casaco ficou ainda mais estranha. Mais de duas décadas depois, ele foi vendido em leilão por 139.348,80 dólares.[1][2] Mas o preço nunca foi o verdadeiro espanto. O verdadeiro espanto era que uma peça feita para permanecer dentro de um dos clubes mais exclusivos dos Estados Unidos tivesse ido parar, de algum modo, em um brechó de Toronto.
O Augusta National confirmou que o casaco era autêntico, e especialistas em leilão o dataram do início dos anos 1950 por causa das etiquetas.[1][2] Isso o coloca em uma era em que esses casacos já eram profundamente simbólicos, mas ainda não eram tratados com o controle quase militar que têm hoje. Augusta introduziu os casacos verdes para membros do clube em 1937, e os campeões do Masters começaram a recebê-los em 1949, com vencedores anteriores também recebendo um de forma retroativa.[3]
Hoje, as regras são rígidas. Os casacos verdes devem permanecer no terreno do clube. A principal exceção é que o campeão vigente do Masters pode levar o casaco para casa por um ano antes de devolvê-lo no torneio seguinte.[3] Cada casaco é feito sob medida, e o nome do dono é costurado dentro da etiqueta.[3] Foi isso que fez este exemplar parecer quase contrabando: quando apareceu em Toronto, a etiqueta com o nome havia sido cortada.[1]
Esse nome ausente é toda a história. Augusta não quis identificar o dono original, e especialistas em leilão acharam mais provável que ele tivesse pertencido a um membro do clube, embora alguns campeões daquela época também tenham casacos desaparecidos.[1][2] Assim, o blazer tinha o prestígio de um troféu, o sigilo de um clube privado e a papelada de um caso sem solução.
A parte mais estranha é que o casaco verde não foi criado como prêmio. Uma história sobre sua origem diz que Bobby Jones viu capitães de clube usando casacos combinando no Royal Liverpool e gostou do visual.[3] Outra diz que Augusta queria seus membros vestidos de forma parecida para que os visitantes pudessem identificá-los com facilidade e os garçons soubessem quem deveria receber a conta.[3] O casaco começou como um uniforme prático. A mitologia veio depois.
Isso ajuda a explicar como um exemplar antigo pode ter escapado. Segundo relatos do leilão, membros às vezes levavam seus casacos para casa nas décadas de 1950 e 1960, por isso os poucos exemplares que aparecem tendem a vir desse período.[1][2] Ainda assim, este continua incomumente perturbador. Por um breve intervalo, uma das peças mais sagradas do golfe era apenas mais um casaco usado pendurado em uma arara, esperando alguém com olhar afiado o bastante para perceber o que era.[1]




