Na primeira temporada da Liga Irlandesa de Futebol, William McCrum defendeu o gol do Milford FC e viu a bola continuar encontrando o caminho para passar por ele. O BBC Bitesize afirma que seu clube sofreu 61 gols em 14 jogos, o que é uma maneira difícil de se interessar pela justiça no futebol.[1]

O pontapé de pênalti foi proposto em 1890 por William McCrum, um goleiro de Milford, County Armagh, para punir faltas intencionais perto do gol. Os legisladores zombaram da ideia inicialmente porque ela admitia algo que o futebol vitoriano preferia não dizer: que os jogadores poderiam trapacear quando um gol estava em jogo.

McCrum propôs um remédio que qualquer um que já tenha gritado na linha do gol entenderia. Se um defensor intencionalmente derrubasse, segurasse ou tocasse a bola com a mão dentro de doze jardas de sua própria linha de gol, a outra equipe deveria ter um chute limpo ao gol. O projeto de história de Milford, Home of the Penalty Kick (Casa do Pênalti), registra que ele submeteu a proposta à Associação Irlandesa de Futebol em 1890, e que a IFAB a aprovou um ano depois.[2]

A International Football Association Board ouviu a proposta e encontrou um insulto escondido dentro do remédio. O BBC Bitesize afirma que os legisladores a apelidaram de "moção do irlandês" e a ridicularizaram, porque o futebol ainda gostava de se imaginar como um jogo de cavalheiros. A proposta de McCrum foi útil porque era indelicada. Ela assumia que um jogador respeitável, com uma multidão assistindo e um gol esperando, poderia quebrar as regras de propósito.[1]

Em uma quartas de final da FA Cup entre Stoke City e Notts County, essa teoria polida encontrou uma bola perto da linha. O EPIC, o museu irlandês de emigração, aponta a partida como um dos episódios que tornaram a ideia de McCrum mais difícil de ser descartada: um handebol na linha do gol deixou o Stoke com apenas um chute livre farsesco em vez do gol que lhes havia sido negado.[3] Uma lei que soara como um insulto começou a parecer uma contabilidade.

Em 2 de junho de 1891, a IFAB havia incorporado o pontapé de pênalti às Leis do Jogo. A primeira versão era mais rudimentar do que o ritual moderno: nenhum ponto fixo, nenhuma área de pênalti como os fãs de hoje a conhecem, e um chute que podia ser cobrado de qualquer lugar ao longo de uma linha de doze jardas do gol. A história da lei na Wikipédia observa que a marca do pênalti e a área de pênalti moderna chegaram mais tarde, em 1902.[4]

Milford agora se intitula a casa do pontapé de pênalti, o que é uma honra cívica elegante para uma regra nascida de uma suspeita desorganizada. Todo pênalti moderno ainda começa com a pequena admissão de McCrum: um jogo pode ser bonito e ainda precisar de uma resposta para a mão que se estende quando ninguém quer perder. Antes do apito, antes da corrida lenta, antes de o goleiro se balançar na linha, há aquela velha e turva pergunta: o que um cavalheiro faz quando a bola está prestes a cruzar?

Fontes

  1. BBC Bitesize: William McCrum
  2. Home of the Penalty Kick: O Inventor, William McCrum
  3. EPIC: William McCrum, o inventor irlandês do pontapé de pênalti
  4. Wikipedia: História do pontapé de pênalti