Adam Clayton não começou por acusar a Atari de esconder nada. Em sua carta de 4 de agosto de 1980, o adolescente de 15 anos de Salt Lake City parecia principalmente impaciente por brochuras e orgulhoso de uma máquina que ainda não podia pagar. Depois veio o postscript. Ele havia entrado no Castelo Negro de Adventure, encontrado um ponto em uma sala bloqueada, levado-o com outros objetos e atravessado uma parede para um lugar que o manual do cartucho nunca mencionou.[3]

O primeiro Easter egg de videogame amplamente conhecido veio de Adventure da Atari, onde o programador Warren Robinett escondeu as palavras "Created by Warren Robinett" dentro de uma sala secreta. A Atari soube da assinatura depois que o jogador adolescente Adam Clayton enviou instruções desenhadas à mão.

O jogo era Adventure, um cartucho Atari 2600 de 4 quilobytes sobre castelos, dragões, chaves e um quadrado que representava o jogador. Robinett mais tarde o descreveu como o primeiro videogame de ação-aventura, construído para um console com 128 bytes de RAM e quase nenhum espaço para vaidade.[1]

Quando Adventure chegou às prateleiras das lojas, a caixa e o manual da Atari traziam o jogo, mas não o nome de Robinett. Ele disse à Game Developer que Adventure vendeu cerca de um milhão de cópias, enquanto ele ganhava um salário de $22.000 por ano e nenhuma royalties. Ele já havia deixado a empresa quando a carta de Clayton chegou.[2]

Dentro do cartucho, Robinett havia guardado um pedaço de memória para um ato privado de autoria. A versão oficial de seu próprio site o chama de "a assinatura do autor escondida em uma sala secreta." Para alcançá-la, um jogador tinha que encontrar um ponto que parecia invisível, usar a ponte, arrastar o ponto pelo labirinto e levá-lo com outros objetos para um corredor abaixo do Castelo Dourado.[1]

A carta de Clayton fez com que o segredo parecesse menos uma pegadinha de programador e mais um pequeno relatório arqueológico. A página um inclui um mapa com o ponto rotulado na sala onde ele o encontrou. A página dois esboça a câmara escondida e as letras verticais que soletram o crédito de Robinett, depois adiciona: "Eu só pensei em te contar porque quero. Poderia por favor comentar sobre isso." [3]

A Atari poderia ter removido a mensagem, mas substituir a máscara ROM de um cartucho era caro. Relatos do episódio dizem que a empresa deixou o código intocado e começou a tratar as surpresas escondidas como coisas que os jogadores poderiam procurar de propósito. O termo "Easter egg" se ligou à prática a partir daí.[4]

Uma linha de crédito destinada a passar despercebida pela gerência sobreviveu porque um garoto tratou um pixel estranho como uma pista. A Atari não imprimiu o nome do designer na caixa. Robinett escondeu um no labirinto. Clayton o encontrou ao se recusar a tratar um ponto na tela como insignificante. O antigo cartucho transforma a autoria em uma tarefa: pegue o ponto, leve-o pela parede e veja um nome aparecer onde a empresa havia deixado apenas um quadrado.

Fontes:

  1. Warren Robinett, "Adventure for the Atari 2600"
  2. Game Developer, "Playing Catch Up: Adventure's Warren Robinett"
  3. Atari Compendium, "Carta à Atari de Adam Clayton"
  4. Wikipedia, "Adventure (videogame de 1980)"