Em 1825, os fabricantes de instrumentos de Londres Watkins e Hill construíram uma pequena bateria elétrica e disseram ao Reverendo Robert Walker, clérigo e físico da Universidade de Oxford, que duraria "três ou quatro anos".[1] A bateria toca uma campainha desde 1840. Ninguém sabe o que há dentro.
Uma bateria feita de camadas de folha de estanho e papel toca uma campainha na Universidade de Oxford há mais de 185 anos, produzindo mais de 10 bilhões de toques. Ninguém sabe do que a bateria é feita e ninguém quer abri-la para descobrir.
O dispositivo está em um corredor no Clarendon Laboratory, atrás de duas camadas de vidro. Duas campainhas de latão pendem sob um par de baterias de pilha seca, um tipo primitivo de bateria feito de finas camadas de folha metálica separadas por papel. Uma esfera de metal, com cerca de quatro milímetros de diâmetro, pende entre as campainhas. Quando a esfera toca uma campainha, ela capta uma carga elétrica e é repelida em direção à outra. A carga se inverte e o processo se repete. A esfera atinge cada campainha duas vezes por segundo.[2]
Watkins e Hill construíram a bateria com base no projeto de Giuseppe Zamboni, um físico italiano e padre católico que havia publicado seu método para fazer pilhas secas em 1812.[3] As pilhas de Zamboni usavam discos de papel revestidos com folha de zinco de um lado e dióxido de manganês do outro. Elas produziam alta voltagem, mas quase nenhuma corrente: cerca de um nanoampere, mil vezes menos do que um relógio de pulso usa.[1] Essa pequena drenagem é o motivo pelo qual a bateria durou tanto tempo.
Ninguém pode dizer com certeza o que Watkins e Hill realmente colocaram dentro. Não há documentação sobrevivente que liste os materiais exatos, o número de camadas ou a construção específica. Zamboni usava folha de estanho. Outros projetos da época usavam zinco, enxofre ou prata. A Campainha Elétrica de Oxford superou todas as outras baterias de pilha seca conhecidas da mesma era por uma grande margem, e a razão é desconhecida.[1]
Um físico poderia abrir a bateria e ler seu conteúdo como um livro. Ninguém o fez. Quebrar as pilhas secas terminaria o experimento elétrico de mais longa duração da história, e ninguém quer ser a pessoa que parou a campainha.[1]
A bateria diminuiu o ritmo nas últimas décadas. Pode acabar em alguns anos, ou pode tocar por mais décadas. O neto de Walker verificou o aviso manuscrito que diz "Instalado em 1840".[2] O Guinness Book of World Records a lista como "a bateria mais durável do mundo".[2]
O badalo ainda está balançando. Ele atinge uma campainha, depois a outra, duas vezes por segundo, atrás de duas camadas de vidro em um corredor no Clarendon Laboratory. Fez isso mais de 10 bilhões de vezes. Ainda está funcionando.



