Em Mauch Chunk, Pensilvânia, as pessoas entravam nos vagões de uma ferrovia que não havia sido construída para diversão. A trilha transportava carvão das minas pela gravidade; mais tarde, os turistas usaram a mesma ideia básica, descendo quilômetros de trilhos a velocidades que podiam parecer escandalosas em um mundo antes dos automóveis.[1][3]

A montanha-russa americana foi popularizada em 1884 por LaMarcus Adna Thompson, um devoto empreendedor de meias que esperava que seu passeio em Coney Island atraísse as pessoas para um entretenimento saudável e as afastasse de bares, bordéis, jogos de azar, salões de dança e outras tentações.

A primeira fortuna de Thompson veio das meias, não do espetáculo. Ele trabalhou em Elkhart, Indiana, e ganhou dinheiro com meias, incluindo uma máquina de meias sem costura.[3] No final do século XIX, ele ficou preocupado com os divertimentos que surgiam nas cidades americanas. O Smithsonian o descreve como desgostoso com “divertimentos hedônicos como bares e bordéis”, e relatos posteriores acrescentam tavernas, jogos de azar e salões de dança à lista de distrações contra as quais ele queria competir.[1][2]

Sua resposta foi uma peça de maquinaria. A Ferrovia Switchback de Mauch Chunk mostrou que um dispositivo construído para a indústria poderia ser reutilizado como prazer. Construída em 1827 para transportar carvão por cerca de nove milhas, a ferrovia enviava os vagões carregados ladeira abaixo pela gravidade e trazia os vagões vazios de volta ladeira acima por mulas.[1] Quando se tornou uma atração turística, o percurso podia alcançar cerca de 50 a 65 milhas por hora, uma velocidade surpreendente para os passageiros que tinham poucas oportunidades de se mover tão rápido.[1][3]

Uma Alternativa de Cinco Centavos ao Vício

Em 1884, Thompson abriu a Switchback Gravity Railway em Coney Island, no Brooklyn.[1] Um ingresso custava cinco centavos.[1] Os vagões eram lentos pelos padrões modernos, movendo-se a menos de seis milhas por hora, e os passageiros sentavam-se voltados para fora em vez de para a frente.[1]

Essa postura lateral diz muito sobre o propósito original do passeio. Thompson ainda não estava tentando criar a máquina de gritos moderna. Ele queria que os passageiros observassem a paisagem construída enquanto deslizavam. Suas ferrovias cênicas incluíam paisagens feitas para se assemelhar a lugares como os Alpes Suíços e os canais de Veneza.[1]

Para um empresário reformista, o passeio oferecia um negócio útil. Ele proporcionava aos visitantes respeitáveis novidade, movimento e paisagem sem enviá-los ao bar, à sala de jogos, ao salão de dança ou ao bordel.[1][2] A emoção estava presente, mas envolta em um pacote moral: entretenimento limpo, vendido por cinco centavos, em trilhos à beira-mar.

Thompson é frequentemente chamado de “Pai da Montanha‑Russa Americana” porque sua atração em Coney Island ajudou a ligar as montanhas‑russas aos parques de diversão nos Estados Unidos.[1] O título requer um pouco de cuidado. Entretenimentos semelhantes a montanhas‑russas tinham raízes anteriores, e a ferrovia de Mauch Chunk transportava passageiros de lazer antes da atração de Thompson em Coney Island.[1][3] O que Thompson ajudou a criar foi a versão americana de parque de diversões: uma experiência fabricada para multidões pagas.

Do Cenário aos Loops

No final do século, os designers já estavam levando a forma além do teatro moral suave de Thompson. Em 16 de agosto de 1898, o designer de Massachusetts Edwin Prescott recebeu uma patente por uma melhoria nas montanhas‑russas com loop.[1] Seu Loop the Loop em Coney Island não foi a primeira montanha‑russa a inverter os passageiros, mas ajudou a introduzir o loop elíptico mais seguro e confortável que mais tarde se tornou padrão.[1]

A atração de Prescott também mostrou os limites da novidade. Apenas um carro com quatro passageiros podia operar de cada vez, de modo que a montanha‑russa não conseguia mover as multidões de forma eficiente. Ela foi fechada em 1910 após nove anos.[1]

O caminho da ferrovia panorâmica de Thompson ao loop de Prescott é curto: gravidade de transporte de carvão, depois recreação moral, depois perigo projetado. A montanha‑russa americana começou como um local respeitável para enviar pessoas inquietas, e manteve o antigo acordo em forma alterada. Uma pessoa ainda sobe em um carro, entrega‑se à gravidade e é levada para algum lugar que não a rua lá fora.

Fontes

  1. Smithsonian Magazine, “14 Curiosidades Sobre Montanhas‑Russas”
  2. Weekly Recess, “Montanhas‑Russas foram Inventadas Primeiro para Distrair as Pessoas do Pecado”
  3. Mental Floss, “Como um Inventor Tentou Salvar a América com Montanhas‑Russas”