Em 1913, William DeMille escreveu ao irmão mais novo como se ele tivesse embarcado em um trem rumo ao constrangimento profissional. Cecil B. DeMille estava deixando Nova York para filmar The Squaw Man, e William não conseguia entender por que alguém associaria seu nome a “uma forma barata de entretenimento”. Se Cecil ficasse preso no Oeste, William acrescentou, ele enviaria dinheiro para a passagem de trem de volta para casa, “como de costume”.[1]
Hollywood se tornou a capital do cinema americano em parte porque cineastas independentes foram para o Oeste para escapar do poder das patentes de Thomas Edison. Los Angeles oferecia distância dos processos judiciais da Costa Leste, além de sol, terrenos baratos, espaço aberto e cenários que facilitavam as filmagens do dia a dia.
O domínio de Edison sobre o cinema inicial começou em West Orange, Nova Jersey, onde ele patenteou a câmera Kinetograph e o visor Kinetoscope em 1891, e abriu o estúdio Black Maria dois anos depois.[2] Sua operação acabaria produzindo quase 1.200 filmes, incluindo uma versão pioneira de Frankenstein.[2]
À medida que o negócio crescia, Edison se juntou a outros detentores de patentes na Motion Picture Patents Company. O grupo usava processos por patentes e direitos autorais para pressionar produtores rivais e limitar a concorrência, criando um gargalo jurídico para independentes que queriam fazer e exibir filmes fora do sistema aprovado.[2]
Essa pressão era mais difícil de exercer do outro lado do continente. A base de poder de Edison ficava no Leste, enquanto a Califórnia estava longe de sua engrenagem jurídica.[2] O sul da Califórnia também tinha vantagens importantes em qualquer dia de filmagem: sol confiável, paisagens variadas, terras baratas e espaço suficiente para os estúdios se expandirem.[3] Um cenário de deserto, litoral, fazenda ou montanha podia ser encontrado sem mandar uma equipe atravessar metade do país.[3]
Uma cidade sóbria encontra o negócio do cinema
Hollywood não começou como uma fábrica de sonhos. Em 1886, Harvey e Daeida Wilcox compraram 120 acres a noroeste de Los Angeles e imaginaram uma comunidade tranquila e religiosa.[4] O plano de uma fazenda de figos fracassou, então eles dividiram a terra e a venderam como lotes para compradores que compartilhavam seus ideais sóbrios.[4]
Os cineastas que chegaram depois buscavam outro tipo de segurança. Muitos independentes se instalaram no recém-incorporado bairro de Los Angeles porque ele colocava milhares de quilômetros entre suas câmeras e os esforços de fiscalização de Edison na Costa Leste.[2] As palmeiras ajudavam, mas a atração mais urgente era a chance de continuar filmando sem ficar encurralado por reivindicações de patentes.
A viagem de Cecil B. DeMille mostra como o mapa ainda podia ser acidental. Sua equipe inicialmente mirou Flagstaff, no Arizona, durante a produção de The Squaw Man.[1] Na versão tantas vezes contada, o frio ajudou a empurrar a produção adiante até o sul da Califórnia, onde o filme acabou ligado ao início da ascensão dos longas-metragens em Los Angeles.[1] A carta condescendente de seu irmão hoje soa menos como sabedoria e mais como um cartão-postal vindo do futuro errado.
Depois que o controle de Edison enfraqueceu
Os advogados de Edison não desapareceram quando os cineastas cruzaram o deserto. Produtores da Costa Oeste continuaram enfrentando pressão até o caso de 1915 United States v. Motion Picture Patents Co., que limitou a capacidade da empresa de usar patentes para bloquear cineastas rivais.[2] Com esse obstáculo enfraquecido, a indústria que já se concentrava ao redor de Los Angeles ganhou mais espaço para crescer.
Nas décadas de 1910 e 1920, grandes estúdios começaram a tomar forma, incluindo Paramount, Universal, Warner Bros., MGM e o que viria a se tornar a 20th Century Fox.[3] Eles criaram um sistema que controlava produção, distribuição e exibição, e dependia de atores contratados, diretores internos, roteiristas, diretores de fotografia, montadores, músicos e equipes de cenários permanentes.[3]
Assim, a ascensão de Hollywood não foi simplesmente a história de artistas descobrindo uma luz melhor. Foi também uma história de distância, processos, terras agrícolas, clima e pessoas levando câmeras para longe de Nova Jersey. Os acres sóbrios dos Wilcox se tornaram um lugar onde cineastas podiam apontar uma lente para o sol e, por algum tempo, se manter à frente da papelada de Edison.
Fontes
- PBS SoCal, “How Did Hollywood End Up in...Hollywood?”
- History Facts, “Hollywood was established in Los Angeles to get away from Thomas Edison”
- HowToFilmSchool.com, “Early Hollywood: The Birth of Studio Storytelling (1910-1930)”
- The Saturday Evening Post, “Thomas Edison: The Unintentional Founder of Hollywood”






